Bem, conforme prometido vou dar prosseguimento à série que descreve minha percepção sobre a evolução tecnológica dos carros e sua consequente transformação de ouro em bosta. Se leram a primeira parte desta análise então sabem que o lançamento do Santana 1991 acabou com toda e qualquer vontade que eu ainda tinha de ter o modelo antigo, que outrora me parecia uma jóia da indústria. E prova disso é que quando fiz 18 anos, abri mão de um vistoso Santana CD 85 em prol de um Escort XR3 88.
Pois bem, em 1992/1993 a GM fez algo que para os padrões de hoje seria uma loucura. Em meio a tantos carros da década de 80 lançou o Omega, nas versões GLS e CD. Rapidamente o modelo mais sofisticado, o CD, tornou-se o cartão da visitas da montadora, com um cardápio de mimos que de longe destoavam da média para um povo cujo ápice da sofisticação em um carro resumia-se a trio elétrico e ar condicionado. E não só a lista de opcionais que incluia entre tantas outras coisas a famosa 'geladeirinha' do porta-luvas, câmbio automático com dois modos de condução, painel digital e teto-solar elétrico, que destoava do resto (bom termo) dos modelos disponíveis no Brasil. Ele também destoava em desempenho e obviamente, em preço. Ao que me consta, o esportivo de maior sucesso da época era o Gol GTi, cuja velocidade máxima girava em torno de 180 e 190Km/h. O Omega, na versão mais humilde, desenvolvia 191Km/h, e na CD chegava a 206Km/h, tornando-se, com seu motor 6 cilindros, o primeiro automóvel nacional a romper a barreira dos 200Km/h. Preço? Bom, em média o dobro do que os demais ditos 'carros de luxo' da época. Eu gamei no carro, e novamente pensei: esse sim, sempre será um carrão! Um dia ele vai ter que desvalorizar e daí poderei comprar um.
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Passaram-se 10 anos, e um carro de R$100.000,00 estava sendo vendido por R$16.000,00. E lá fui eu, com um salário de R$970,00 buscar meu Omega na North Veículos em Porto Alegre. Ano 94, bordô, automático, completo. Só não tinha bancos em couro. Lembro que foi um dos dias mais surpreendentes e surreais da minha vida. Estacionei ele no gramado da casa dos meus pais e passei o dia bebendo e olhando para ele. Este foi o primeiro dos três Omega que tive. Do segundo tenho ainda uma foto, que segue. Ano 95, motor 4.1, bancos em couro e câmbio manual. Nunca tive carro melhor.
Pois bem, em 1992/1993 a GM fez algo que para os padrões de hoje seria uma loucura. Em meio a tantos carros da década de 80 lançou o Omega, nas versões GLS e CD. Rapidamente o modelo mais sofisticado, o CD, tornou-se o cartão da visitas da montadora, com um cardápio de mimos que de longe destoavam da média para um povo cujo ápice da sofisticação em um carro resumia-se a trio elétrico e ar condicionado. E não só a lista de opcionais que incluia entre tantas outras coisas a famosa 'geladeirinha' do porta-luvas, câmbio automático com dois modos de condução, painel digital e teto-solar elétrico, que destoava do resto (bom termo) dos modelos disponíveis no Brasil. Ele também destoava em desempenho e obviamente, em preço. Ao que me consta, o esportivo de maior sucesso da época era o Gol GTi, cuja velocidade máxima girava em torno de 180 e 190Km/h. O Omega, na versão mais humilde, desenvolvia 191Km/h, e na CD chegava a 206Km/h, tornando-se, com seu motor 6 cilindros, o primeiro automóvel nacional a romper a barreira dos 200Km/h. Preço? Bom, em média o dobro do que os demais ditos 'carros de luxo' da época. Eu gamei no carro, e novamente pensei: esse sim, sempre será um carrão! Um dia ele vai ter que desvalorizar e daí poderei comprar um.
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Passaram-se 10 anos, e um carro de R$100.000,00 estava sendo vendido por R$16.000,00. E lá fui eu, com um salário de R$970,00 buscar meu Omega na North Veículos em Porto Alegre. Ano 94, bordô, automático, completo. Só não tinha bancos em couro. Lembro que foi um dos dias mais surpreendentes e surreais da minha vida. Estacionei ele no gramado da casa dos meus pais e passei o dia bebendo e olhando para ele. Este foi o primeiro dos três Omega que tive. Do segundo tenho ainda uma foto, que segue. Ano 95, motor 4.1, bancos em couro e câmbio manual. Nunca tive carro melhor.
Ocorre que somos impelidos a olhar sempre para aquilo que não está ao nosso alcance, e nessa altura da vida o velho Omega já havia sido substituído e haviam muitas outras opções mais modernas e desejáveis, mas que evidentemente meus parcos recursos financeiros não eram capazes de comprar. Essa realidade tornou-se clara para mim quando pude conhecer o interior do recém lançado Passat Alemão. Prova máxima de que a evolução tecnologia, e não a cerveja como prega Homer Simpson, é a causa e solução de todos os nossos problemas, o Passat fez com que a magia em torno do meu segundo Omega se dissipasse e minha atenção se voltasse novamente para o mercado. Foi uma época boa, talvez uma das melhores pois nunca mais um guri em início de carreira e sem maiores subsídios paternos chamará tanta atenção e se deslocará tão confortavelmente gastando tão pouco. Aqui termina a era Omega da minha vida. No próximo artigo irei falar sobre o Passat e tudo que veio depois. Um abraço!

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