segunda-feira, 7 de abril de 2008

A evolução dos carros Parte 1 de 3.

Era o ano de 1985, pelas minhas contas eu tinha 7 anos, e a indústria automobilística não desfrutava de uma boa fase. Reserva de mercado, nada de carros importados rodando por aí, aquela coisa de pais retrógrado e de merda que ninguém faz melhor que o Brasil. Estava indo com minha familia sei lá para onde quando vi estacionado um carro que eu ainda não conhecia. Se fosse hoje, pensaria que era um importado, ou até mesmo um novo modelo nacional - ou pseudo-nacional - já que todo mês surge coisa nova. Mas naquela época era diferente. Enquanto minha mãe me puxava pela mão eu ia comendo aquela coisa linda com os olhos, a partir da frente para a traseira, onde dizia: Santana.

Essa aí foi mais ou menos a imagem que despertou meu interesse para tentar descobrir o que havia além do arco-iris. Será que lá fora também só tinha Corcel, Passat e Opala? Cheguei em casa, tomei banho, jantei e me deitei. Peguei o notebook, abri o Google e fiquei maravilhado com o que vi. Tá bom, eu dormi e tava sonhando, pois naquela época não existia nem Internet, quem dirá Google.
.
Se eu fosse um cara esperto teria vislumbrado o futuro da rede mundial de computadores e me encarregado de me tornar dono do Google. Mas naquela época eu ganhava bem, sei lá quantos cruzeiros, mas era quase o dobro do que meu colega de primeira série mais bem sucedido ganhava. Meu futuro estava garantido. Então me ative aos carros e comecei a encher o saco do meu pai para comprar revistas importadas. Hoje é fácil, mas naquela época ninguém ganhava catálogos gratuitos da Summit Racing pelos correios.
.
A partir desta história minha paixão por carros se consolidou e eu lembro de ter matutado: um Santana sempre será um carrão. Daqui uns anos meu pai vai ter dinheiro para comprar um usado e eu serei muito feliz. Em 1991 a VW lançou a segunda geração do Santana, eu olhei para o velho modelo de 85, já restilizado e sentindo o peso da idade e pensei: eu não quero mais essa droga. Assim começou o eterno conflito entre minha renda e o preço do carro dos meus sonhos. Na próxima história falarei sobre o Omega, depois sobre o Passat alemão, e por fim sobre como resolvi esse problema e me tornei uma pessoa melhor. Até lá.

Nenhum comentário: